Três semanas após o lançamento do Programa Brasil Contra o Crime Organizado, o Ministério da Justiça e Segurança Pública divulgou os primeiros resultados da iniciativa, que já contabiliza mais de 67 toneladas de drogas apreendidas, 639 armas retiradas de circulação, 26.875 munições recolhidas, 1.013 veículos apreendidos e 473 prisões realizadas em operações integradas em todo o país.
Desde o início das ações, em 12 de maio, 9.204 profissionais de segurança pública participaram de 11 operações coordenadas em diferentes regiões do Brasil. O programa, que conta com previsão de investimento de R$ 11,1 bilhões, atua em quatro frentes estratégicas: combate ao financiamento das facções criminosas, retomada do controle dos presídios, fortalecimento da investigação de homicídios e enfrentamento ao mercado ilegal de armas.
Segundo o Ministério da Justiça, os resultados iniciais demonstram a efetividade do modelo de atuação conjunta entre União, estados e municípios.
Investimento gera retorno no combate ao crime
Dados da Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP) indicam que os R$ 30,4 milhões investidos nos primeiros 20 dias de operação provocaram um prejuízo estimado de R$ 361,3 milhões às organizações criminosas. O valor representa quase R$ 12 de impacto financeiro para o crime organizado a cada R$ 1 aplicado pelo programa.
O desempenho supera em 251% a meta prevista para os primeiros 90 dias de execução.
No acumulado de abril e maio, ações coordenadas pela SENASP e pela Diretoria de Operações Integradas e de Inteligência (DIOPI) resultaram em 2.182 prisões em flagrante. O prejuízo econômico ao crime, desconsiderando o valor das drogas apreendidas, alcançou R$ 223,54 milhões.
As Operações Narke e Renocrim também garantiram o bloqueio judicial de R$ 436 milhões em ativos ligados a organizações criminosas.
Operação Mute reforça combate ao crime dentro dos presídios
Uma das principais frentes do programa é o enfrentamento da atuação das facções dentro do sistema prisional. Na 11ª fase da Operação Mute, 4.042 policiais penais realizaram ações em 124 unidades prisionais.
Ao todo, foram vistoriadas 3.728 celas e apreendidos 680 celulares utilizados por detentos para comunicação e emissão de ordens criminosas.
Desde o início da operação, em 2023, já foram retirados 8.646 celulares dos presídios brasileiros. Nesse período, mais de 38 mil policiais penais participaram das ações, que alcançaram mais de 37 mil celas em todo o país.
Polícia Federal intensifica ações contra organizações criminosas
A Polícia Federal também registrou resultados expressivos no período. Apenas em abril, foram homologadas 128 operações, com 849 prisões em flagrante e 1.371 capturas realizadas pelos Grupos de Capturas.
Além disso, a PF cumpriu 295 mandados de busca e apreensão e provocou uma descapitalização estimada em R$ 272 milhões para organizações criminosas.
As operações resultaram ainda na apreensão de 160 armas de fogo, 4.563 munições, 5,6 toneladas de cocaína e 20,9 toneladas de maconha.
Ampliação das ações em fronteiras e na Amazônia
As operações de fronteira passaram a alcançar as 27 unidades da Federação. Em 2025, as ações estavam concentradas em apenas sete estados.
O programa também ampliou sua presença na Amazônia, atuando em sete regiões prioritárias e 42 municípios distribuídos entre Acre, Amazonas, Pará, Maranhão, Mato Grosso do Sul e Paraná.
Cooperação internacional fortalece combate ao tráfico
No âmbito internacional, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, reuniu-se em Assunção com o secretário nacional antidrogas do Paraguai, Jalil Rachid, para reforçar a cooperação bilateral no combate ao tráfico de drogas nas regiões de fronteira.
A parceria inclui a Operação Nova Aliança, realizada desde 2012 em conjunto com a Polícia Federal. A iniciativa já resultou na destruição de 1.218 acampamentos utilizados para cultivo de drogas, na eliminação de 11,2 milhões de quilos de maconha e em um prejuízo estimado de R$ 1,6 bilhão às organizações criminosas.
Durante a 55ª Reunião de Ministros do Interior e Segurança do Mercosul (RMIS) e a 63ª Reunião de Ministros da Justiça do Mercosul (RMJ), Wellington Lima apresentou o Programa Brasil Contra o Crime Organizado como uma contribuição brasileira para o fortalecimento da segurança regional.
“Quanto mais forte a capacidade de cada Estado-Parte, mais resiliente será nossa região frente às ameaças comuns”, afirmou o ministro.
Fonte: MJSP






