O senador Renan Calheiros (MDB-AL) voltou a cobrar esclarecimentos do Banco Central sobre a atuação da instituição no caso do Banco Master e destacou a importância da audiência com o presidente do órgão, Gabriel Galípolo, marcada para o dia 5 de maio na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.
Presidente da CAE, Renan afirmou que a presença de Galípolo será fundamental diante das dúvidas ainda existentes sobre a condução do Banco Central. “Muitas perguntas continuam a ser feitas sobre o papel do BC na crise do Master”, declarou. O senador criticou a atuação da autoridade monetária e afirmou que o órgão teria emitido diversos alertas de irregularidades sem adotar medidas efetivas ao longo dos anos.
Segundo Renan, o Banco Central “mandou 23 avisos de irregularidade para o Master e não tomou, ao longo desses anos, nenhuma providência, salvo a intervenção em dezembro de 2025”. Ele também citou suposta leniência de Galípolo em relação ao ex-presidente do BC, Roberto Campos Neto.
O parlamentar ressaltou ainda que a comissão não recebeu documentos considerados essenciais sobre o caso, que deveriam ter sido encaminhados pelo Banco Central. Em fevereiro, a CAE instalou um grupo de trabalho para investigar possíveis fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master, sob a presidência de Renan.
No âmbito das investigações, os senadores aprovaram requerimentos para que o ministro Bruno Dantas, do Tribunal de Contas da União, apresente informações e documentos, inclusive sigilosos, relacionados a operações envolvendo a Caixa Econômica Federal, o Banco de Brasília e o Banco Master. Também foi solicitado ao BRB o envio de dados sobre contratos e operações financeiras realizadas nos últimos anos.
Além do tema financeiro, Renan também destacou discussões sobre a situação dos produtores rurais. Segundo ele, caso o governo federal não apresente uma proposta satisfatória para a renegociação de dívidas do setor, a comissão poderá votar com urgência o projeto de lei 5.122/2023, relatado pelo próprio senador.
Renan explicou que a proposta prevê a criação de uma linha especial de financiamento com recursos do Fundo Social do Pré-Sal para atender produtores afetados por eventos climáticos. Ele ponderou, no entanto, que a tramitação do projeto pode atrasar a liberação de ajuda, já que o texto ainda precisa ser aprovado pelo Senado e pode retornar à Câmara.
O senador também comparou a proposta com medidas anteriores do governo, apontando diferenças no alcance e nos impactos fiscais, e defendeu soluções mais amplas para o setor agrícola.
A audiência com o presidente do Banco Central deve reunir parlamentares interessados em esclarecer a atuação da instituição tanto na política monetária quanto no caso envolvendo o Banco Master.
Com informações da Agência Senado






