A deputada federal Talíria Petrone (PSOL) anunciou que irá solicitar a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara dos Deputados para investigar a atuação de grupos nazifascistas organizados no país. A iniciativa surge após investigações da Polícia Federal (PF) revelarem a existência de uma organização criminosa autodenominada “Comando C4” — sigla que significa “Comando de Caça Comunistas, Corruptos e Criminosos”.
Segundo as apurações da PF, o grupo era formado por militares da ativa, da reserva e civis, e prestava serviços de monitoramento de autoridades públicas, incluindo deputados, senadores e ministros de Cortes superiores, como o Supremo Tribunal Federal (STF). O documento sigiloso apresentado pela PF detalha valores cobrados para esses serviços: R$ 150 mil para monitoramento de senadores e até R$ 250 mil para ministros do Poder Judiciário.
Além do monitoramento, as investigações indicam que o grupo utilizava armamento pesado — como fuzis e minas — e oferecia uma série de “serviços avulsos”, que incluíam a locação de imóveis, uso de garotas e garotos de programa como iscas e disfarces, além de operações com hackers, equipes de inteligência, reconhecimento e ações coordenadas.
Para Talíria Petrone, “o avanço da extrema-direita armada e organizada exige pronta resposta institucional e investigação profunda por parte do Parlamento brasileiro”. Ela classificou a situação como “gravíssima” e destacou que a CPI tem como objetivo apurar a existência e atividades de organizações paramilitares ilegais, grupos de extermínio com motivações políticas, redes de incitação ao ódio nas plataformas digitais e possíveis conexões com agentes públicos ou privados que financiam ou incentivam práticas antidemocráticas, discriminatórias e violentas.
A deputada reforçou que a investigação é fundamental para combater o crescimento desses grupos que ameaçam a democracia e a segurança pública no Brasil, e que o Parlamento deve atuar de forma enérgica para responsabilizar os envolvidos






