CCJ da Câmara analisa nesta terça PEC que reduz maioridade penal para 16 anos

Dados do CNJ apontam que cerca de 12 mil adolescentes estão em privação de liberdade no Brasil
Proposta será debatida na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara (Foto: Câmara dos Deputados)

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados deve analisar nesta terça-feira (9) a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos.

A proposta estabelece que “a maioridade é atingida aos dezesseis anos, idade a partir da qual a pessoa é considerada penalmente imputável e capaz de exercer plenamente todos os atos da vida civil”.

O parecer favorável à admissibilidade da PEC foi apresentado pelo deputado Coronel Assis (PL-MT), relator da matéria na CCJ. Em seu relatório, o parlamentar defende que adolescentes a partir dos 16 anos possam responder criminalmente como adultos em casos de infrações graves e crimes hediondos, como homicídio doloso e lesão corporal seguida de morte.

Segundo o relator, a delimitação da proposta à esfera penal busca garantir maior segurança jurídica durante a tramitação da emenda constitucional e evitar questionamentos futuros sobre o texto.

A PEC também prevê regras específicas para o cumprimento de pena dos jovens de 16 e 17 anos condenados pela Justiça. De acordo com a proposta, eles deverão permanecer em estabelecimentos prisionais separados tanto dos menores submetidos a medidas socioeducativas quanto dos presos maiores de 18 anos, em unidades destinadas exclusivamente a essa faixa etária.

O debate sobre a redução da maioridade penal volta ao centro das discussões no Congresso em meio às cobranças por medidas mais efetivas no combate à criminalidade. Defensores da proposta argumentam que adolescentes envolvidos em crimes graves devem ser responsabilizados de forma mais rigorosa. Já os críticos afirmam que a mudança pode ampliar os problemas do sistema prisional sem necessariamente contribuir para a redução da violência.

Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) apontam que o Brasil registra cerca de 12 mil adolescentes em unidades de internação ou em situação de privação de liberdade. O número representa menos de 1% dos aproximadamente 28 milhões de jovens nessa faixa etária, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Se a admissibilidade for aprovada pela CCJ, a PEC seguirá para análise de uma comissão especial antes de ser submetida a votação em dois turnos no plenário da Câmara dos Deputados.