Os países da União Europeia (UE) confirmaram nesta sexta-feira a aprovação do acordo comercial com o Mercosul, formalizando a criação da maior zona de livre comércio do mundo. A informação foi divulgada pelo Chipre, país que exerce a presidência rotativa do bloco europeu neste semestre.
Segundo a presidência cipriota, uma ampla maioria dos Estados-membros da UE manifestou apoio ao acordo com o bloco sul-americano. Os governos tinham prazo até as 17h (horário de Bruxelas) — 13h no horário de Brasília — para registrar seus votos por escrito, etapa final do processo decisório interno.
Negociado ao longo de 25 anos, o tratado une dois grandes blocos econômicos que, juntos, reúnem cerca de 718 milhões de pessoas e representam um Produto Interno Bruto (PIB) combinado de aproximadamente US$ 22,4 trilhões. O acordo prevê a redução de tarifas, a simplificação de regras comerciais e o estímulo a investimentos entre os países envolvidos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva celebrou a aprovação e classificou o momento como histórico. “Dia histórico para o multilateralismo. Após 25 anos de negociação, foi aprovado o Acordo entre Mercosul-União Europeia, um dos maiores tratados de livre comércio do mundo”, afirmou o presidente nas redes sociais.
Lula destacou ainda o simbolismo da decisão em um contexto internacional marcado pelo avanço do protecionismo. “Em um cenário de crescente protecionismo e unilateralismo, o acordo é uma sinalização em favor do comércio internacional como fator para o crescimento econômico, com benefícios para os dois blocos”, declarou.
De acordo com o governo brasileiro, o texto do tratado amplia as alternativas para as exportações do Brasil e dos demais países do Mercosul, ao mesmo tempo em que cria um ambiente mais favorável para investimentos produtivos europeus na região. A simplificação das regras comerciais também deve reduzir custos e facilitar o fluxo de bens e serviços entre os dois lados.
Para Lula, a conclusão do acordo representa “uma vitória do diálogo, da negociação e da aposta na cooperação e na integração entre os países e blocos”, reforçando o papel do multilateralismo como ferramenta para o desenvolvimento econômico e a estabilidade internacional.






