Operação Estágio IV da PF; Governo afasta secretário e anuncia comissão especial

Comissão é formada pelo Gabinete Civil, Controladoria-Geral do Estado e Procuradoria-Geral do Estado
A ação cumpriu 38 mandados de busca e apreensão e diversas medidas cautelares (Foto: PF)

A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (16/12), a Operação Estágio IV, que investiga um sofisticado esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial envolvendo contratos emergenciais firmados pela Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas (Sesau). A ação cumpriu 38 mandados de busca e apreensão e diversas medidas cautelares, entre elas a suspensão do exercício de função pública por 180 dias, todas expedidas pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5).

Os mandados foram executados em Alagoas, Pernambuco e no Distrito Federal, com a mobilização de 170 policiais federais e 26 auditores. Também foi determinado o sequestro de bens dos investigados, incluindo veículos e imóveis de alto valor.

Contratos emergenciais e desvios do SUS

De acordo com a investigação, foram identificados indícios de favorecimento em contratos emergenciais celebrados pela Sesau entre 2023 e 2025 com duas empresas — uma fornecedora de material hospitalar e outra do setor de construção. As contratações diretas somam quase R$ 100 milhões, com parte significativa ainda em execução, e teriam resultado no pagamento de vantagens indevidas aos investigados.

A apuração também aponta desvio de recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) por meio de ressarcimentos superdimensionados de consultas e procedimentos médicos que não teriam ocorrido, totalizando mais de R$ 18 milhões entre setembro de 2023 e agosto de 2025. Apenas em procedimentos de fisioterapia, os valores pagos seriam incompatíveis com a capacidade operacional de uma clínica privada.

Esquema sofisticado e bens de luxo

Segundo a PF, parte dos recursos públicos foi destinada a integrantes do grupo criminoso por transferências bancárias, saques em espécie e pagamentos indiretos, caracterizando um esquema estruturado de lavagem de dinheiro. Interpostas pessoas teriam sido usadas para ocultar a origem ilícita dos valores, sobretudo na aquisição de imóveis.

Entre os bens investigados está uma pousada em Porto de Pedras (AL), adquirida em 2023 por R$ 5,7 milhões, registrada em nome de terceiros. O inquérito indica ainda o uso de recursos para viagens internacionais e gastos pessoais. Em diversos locais de busca, foram apreendidas quantias expressivas em dinheiro, em moeda nacional e estrangeira, além de duas armas de fogo.

Governo de Alagoas reage e destaca medidas imediatas

Em nota oficial, o Governo do Estado de Alagoas informou que foi comunicado oficialmente sobre a operação e adotou providências imediatas. Diante da gravidade dos fatos, o governador Paulo Dantas acatou o afastamento do secretário de Estado da Saúde por 180 dias, conforme determinação judicial, para assegurar uma apuração completa, técnica, independente e sem interferências.

O Executivo estadual anunciou ainda a criação de uma comissão especial, composta pelo Gabinete Civil, Controladoria-Geral do Estado e Procuradoria-Geral do Estado, com a finalidade de acompanhar, colaborar e prestar informações aos órgãos de investigação, garantindo o devido processo legal, o contraditório e a presunção de inocência.

O Governo ressaltou que não compactua com irregularidades, especialmente quando envolvem recursos da saúde, e reafirmou colaboração total, transparente e irrestrita com a Polícia Federal, o Ministério Público e órgãos de controle. Também assegurou que todas as atividades da Sesau seguem funcionando normalmente, sem prejuízo ao atendimento à população.

Por fim, o Estado destacou que o foco permanece no cidadão, na defesa do SUS, no uso responsável dos recursos públicos e na garantia de atendimento de qualidade, prioridades que, segundo a nota, não serão relativizadas.