Papa celebra Jubileu dos Catequistas e alerta para indiferença diante da miséria no mundo

“Os catequistas são testemunhas de Jesus”, afirma o Pontífice diante de 50 mil fiéis na Praça São Pedro
aproximadamente 50 mil fiéis estavam na Praça São Pedro (Foto: Vatican News)

O Papa Leão XIV presidiu neste domingo (28) a missa do Jubileu dos Catequistas, na Praça São Pedro, durante o XXVI Domingo do Tempo Comum. Diante de aproximadamente 50 mil fiéis, o Pontífice instituiu 39 novos ministros da catequese e dedicou sua homilia à missão evangelizadora dos catequistas e à urgência de compaixão diante da dor dos pobres no mundo atual.

Catequistas e pais: os primeiros anunciadores da fé

Na homilia, o Papa destacou que os catequistas são discípulos que se tornam testemunhas de Jesus, e lembrou que os primeiros catequistas são os pais, que introduzem os filhos na fé ainda na infância. “Foram eles que primeiro nos falaram e nos ensinaram a falar”, disse o Santo Padre, ressaltando o papel essencial da família na transmissão da fé cristã.

Indiferença diante da miséria: uma parábola atual

Ao refletir sobre o Evangelho do dia, que narra a parábola do homem rico e do pobre Lázaro, Leão XIV fez duras críticas à indiferença diante da miséria humana, comparando o contexto bíblico com a realidade contemporânea. “Às portas da opulência jaz hoje a miséria de povos inteiros, atormentados pela guerra e pela exploração. Com o passar dos séculos, parece que nada mudou”, afirmou.

O Papa lembrou que, na narrativa evangélica, Lázaro tem nome e é lembrado por Deus, enquanto o homem rico, apesar de viver na abundância, permanece anônimo e vazio de amor. “Está perdido nos pensamentos do seu coração, cheio de coisas, mas vazio de caridade. Os seus bens não o tornam bom”, enfatizou.

“Deus faz justiça a ambos”

Leão XIV também reforçou a mensagem de esperança contida no Evangelho: “As dores de Lázaro terminam, tal como os festins do rico. Deus faz justiça a ambos”. Segundo ele, é dever da Igreja proclamar essa palavra continuamente, para converter os corações e despertar a solidariedade.

Um chamado à missão

Encerrando a homilia, o Papa recordou que este mesmo trecho evangélico foi proclamado durante o Jubileu dos Catequistas no Ano Santo da Misericórdia, presidido por Papa Francisco, em 2016. Ele destacou que a missão da Igreja começa na ação de Deus, que doa sua vida pela salvação do mundo. “Essa ação é o início da nossa missão, porque nos convida a nos doar pelo bem de todos”, declarou.

O Pontífice finalizou sua mensagem chamando todos à escuta do Evangelho e à conversão: “Se não ouvimos Moisés e os Profetas, tampouco seremos convencidos por alguém que ressuscite dos mortos. Que o nosso coração não se feche à dor do próximo”.