Veja os principais pontos da proposta do Governo para baratear a CNH

Proposta do Ministério dos Transportes quer ampliar o acesso à CNH com menos burocracia e mais flexibilidade
Governo propõe mudanças para baratear em até 80% o custo da carteira de motorista (Foto: MTransp)

Tirar a carteira de motorista é o desejo de milhões de brasileiros, mas o alto custo do processo — que hoje ultrapassa os R$ 3 mil — tem sido uma barreira para a maioria da população. Dados do Ministério dos Transportes apontam que apenas 46% dos brasileiros têm CNH. Isso significa que 54% da população — mais de 100 milhões de pessoas — não dirige ou dirige sem habilitação, sendo que 32% apontam o custo elevado como o principal impeditivo.

Para mudar esse cenário, o governo federal apresentou uma proposta que promete reduzir em até 80% os custos para tirar a primeira habilitação nas categorias A (moto) e B (veículos de passeio), além de desburocratizar o processo e ampliar as formas de acesso à formação.

  1. Veja os principais pontos da proposta:

📲 Abertura do processo

A solicitação da CNH poderá ser feita diretamente no site da Senatran (Secretaria Nacional de Trânsito) ou por meio da Carteira Digital de Trânsito (CDT).

🎓 Formação teórica mais acessível

O conteúdo teórico poderá ser cursado de três formas:

  • Presencialmente em CFCs (Centros de Formação de Condutores);
  • Ensino a distância (EAD) em empresas credenciadas;
  • Plataforma digital gratuita da Senatran.

🚗 Aulas práticas com mais liberdade

A proposta retira a exigência mínima de 20 horas-aula práticas. O candidato poderá escolher:

  • Contratar um instrutor autônomo credenciado pelo Detran;
  • Utilizar os serviços dos CFCs, de forma personalizada.

Apesar da maior flexibilidade, a aprovação nos exames teórico e prático continua obrigatória.

🚛 Categorias C, D e E

A proposta também prevê facilidade para habilitações profissionais, como:

  • C: veículos de carga (caminhões);
  • D: transporte de passageiros (ônibus);
  • E: carretas e veículos articulados.

Essas categorias poderão ser processadas por CFCs ou outras entidades autorizadas, com menos burocracia.

💸 Por que vai ficar mais barato?

A redução de custos virá de:

  • Maior concorrência entre instrutores e escolas;
  • Aulas práticas mais flexíveis e adaptáveis;
  • Opções digitais e gratuitas para a parte teórica.

Segundo o Ministério, o custo total da CNH poderá cair em até 80%, especialmente para pessoas de baixa renda.

🏫 E os CFCs, perdem importância?

Não. Os CFCs continuarão oferecendo serviços, com a vantagem de poder atuar também no modelo EAD, adaptando seus serviços às novas regras e mantendo foco na qualidade e acessibilidade.

🚦 Impacto na segurança no trânsito

O governo argumenta que o modelo pode aumentar o número de condutores habilitados, reduzir a informalidade e manter a qualidade da formação, já que os exames continuam sendo obrigatórios.

👥 Quem mais será beneficiado?

A mudança deve impactar diretamente os 161 milhões de brasileiros que estão em idade legal para dirigir, mas que ainda não possuem CNH. A proposta prioriza a inclusão social, especialmente entre os brasileiros com menor poder aquisitivo.

🧑‍🏫 Instrutores autônomos

Esses profissionais serão credenciados pelos Detrans, com formação oferecida por cursos digitais. Eles aparecerão como profissionais habilitados na Carteira Digital de Trânsito e poderão ser contratados de forma direta pelos candidatos.

📱 Menos burocracia, mais tecnologia

A proposta prevê o uso de plataformas tecnológicas que funcionarão como “aplicativos de CNH”, permitindo:

  • Agendamento de aulas;
  • Localização de instrutores;
  • Pagamentos digitais;
  • Avaliações dos serviços prestados.

🌍 Inspiração internacional

Modelos semelhantes já existem em países como Estados Unidos, Canadá, Inglaterra, Japão, Paraguai e Uruguai, onde a formação para dirigir é mais flexível, centrada na autonomia do cidadão e menos dependente de regras engessadas.

A proposta ainda está em fase de análise e ajustes, mas pode representar uma das maiores reformas no processo de habilitação de motoristas no Brasil nas últimas décadas. A expectativa do Ministério dos Transportes é que a medida amplie o acesso, reduza a informalidade e melhore a segurança no trânsito.