O general da reserva Mário Fernandes, ex-número dois da Secretaria-Geral da Presidência, admitiu ao Supremo Tribunal Federal (STF) ser o autor do chamado “Plano Punhal Verde e Amarelo”, documento que, segundo a Polícia Federal, descrevia um plano para sequestrar e assassinar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro do STF Alexandre de Moraes.
Em interrogatório prestado à Corte, Fernandes afirmou que o plano não passava de um “pensamento” individual, um “estudo de situação” que teria sido digitalizado por hábito pessoal. “Esse arquivo digital nada mais retrata do que um pensamento meu que foi digitalizado. Um compilar de dados, um estudo de situação meu, uma análise de riscos que eu fiz e, por costume próprio, resolvi digitalizar. Não foi apresentado a ninguém e nem compartilhado com ninguém”, disse o general durante o depoimento.
O militar da reserva também confirmou ter impresso o documento, alegando que o fez apenas para facilitar a leitura. Segundo ele, a impressão tinha objetivo visual e foi destruída logo em seguida. “Imprimi para não forçar a vista, mas rasguei logo depois”, declarou.
Contudo, quando questionado sobre a impressão de três cópias do plano dentro do Palácio do Planalto, em dezembro de 2022, Fernandes alegou não lembrar do ocorrido. Ele atribuiu a possível repetição a uma configuração da impressora. “Acho que foram três folhas, não três cópias. Se foram três cópias, acredito que seja relativo à configuração da impressora que estava em uma impressão anterior”, justificou.
Essa foi a primeira vez que o general falou publicamente sobre o caso desde que foi preso, em novembro do ano passado. A prisão foi decretada após a Polícia Federal localizar o documento entre arquivos digitais em seus dispositivos eletrônicos, durante uma operação que apura ameaças à ordem democrática e planos de golpe de Estado.
O conteúdo do “Plano Punhal Verde e Amarelo” teria sido identificado pela PF como parte de articulações golpistas em meio ao processo de transição do governo federal, após a eleição de Lula em 2022. Fernandes nega qualquer participação em movimentos antidemocráticos ou intenção real de executar o que estava descrito no documento.
A investigação continua em andamento no STF sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes. A defesa do general tenta, agora, obter a revogação da prisão preventiva, alegando ausência de risco atual e colaborando com as investigações.






