PEC que prevê fim da escala 6×1 recebe relatório favorável no Senado

Texto reduz jornada semanal de 44 para 40 horas e garante dois dias de descanso remunerado
Relator da matéria, o senador Omar Aziz apresentou seu voto favorável (Foto: Agência Senado)

A proposta de emenda à Constituição que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 avançou no Senado nesta quinta-feira (27). O relator da matéria na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), senador Omar Aziz (PSD-AM), apresentou parecer favorável à aprovação da PEC 221/2019 e rejeitou as 12 emendas apresentadas por outros senadores.

Com a decisão, o relatório mantém o mesmo texto aprovado pela Câmara dos Deputados no fim de maio.

A PEC altera a Constituição Federal para reduzir a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais. A proposta também estabelece dois dias de repouso semanal remunerado, sem redução de salário.

Mudança será gradual

De acordo com o texto, a redução da jornada não ocorreria de forma imediata. Dois meses após a eventual promulgação da emenda constitucional, o limite semanal passaria de 44 para 42 horas.

A partir desse período, os trabalhadores também teriam direito a dois dias de repouso semanal remunerado, sendo um deles, preferencialmente, aos domingos.

Após 12 meses da promulgação, a jornada máxima semanal seria reduzida definitivamente para 40 horas.

A proposta prevê ainda exceções para trabalhadores submetidos a regimes diferenciados e para profissionais com salários mais elevados e diploma de nível superior.

Acordos coletivos continuam previstos

O texto mantém a possibilidade de negociação por meio de acordos e convenções coletivas, inclusive para categorias submetidas a regimes diferenciados.

Nessas situações, uma lei poderá estabelecer regras específicas para a duração da jornada e para os dias destinados ao descanso.

Relator defende atualização da legislação

No relatório apresentado à CCJ, Omar Aziz argumenta que o limite de 44 horas semanais foi estabelecido pela Constituição de 1988 e permanece sem alteração há 38 anos.

Segundo o senador, durante esse período, a economia brasileira passou por mudanças significativas relacionadas à produtividade, à incorporação de novas tecnologias e à organização da produção.

Para Aziz, a redução da jornada não representa uma ruptura, mas uma atualização da legislação trabalhista diante das transformações ocorridas nas últimas décadas.

O relator também destaca os possíveis efeitos da medida sobre a qualidade de vida dos trabalhadores. Na avaliação dele, a criação de um segundo dia de repouso semanal remunerado amplia o período destinado ao descanso e à recuperação física e mental.

PEC está entre prioridades do Congresso

A votação da proposta ganhou prioridade na agenda do Congresso Nacional. Na quarta-feira (26), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, se reuniu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta.

Durante o encontro, foram definidas matérias consideradas prioritárias para os próximos dias, entre elas a PEC que prevê o fim da escala 6×1.

A expectativa é que a proposta seja analisada pela CCJ já na próxima semana. Se aprovada no colegiado, a PEC seguirá para votação no Plenário do Senado.

Por se tratar de uma proposta de emenda à Constituição, o texto precisa ser aprovado em dois turnos no Senado antes de seguir para as demais etapas previstas no processo legislativo.

Redução da jornada segue tendência internacional

A proposta brasileira também acompanha uma tendência de redução da jornada de trabalho observada em outros países.

A Recomendação nº 116 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), de 1962, já defendia a redução progressiva da jornada, sem diminuição dos salários, tendo como referência uma semana de 40 horas.

Na América Latina, países também vêm adotando mudanças nesse sentido. O Chile iniciou em 2024 uma redução gradual da jornada, de 45 para 40 horas semanais, com conclusão prevista para 2028.

Na Colômbia, a jornada semanal foi reduzida gradualmente de 48 para 42 horas, com a última etapa implementada em 2026.

Já o México aprovou, no início de 2026, uma redução progressiva da jornada de 48 para 40 horas semanais, a ser concluída até 2030.

No Brasil, a PEC 221/2019 agora aguarda a análise da Comissão de Constituição e Justiça do Senado. A aprovação do relatório de Omar Aziz será o próximo passo para que a proposta avance para o Plenário da Casa.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Com informações da Agência Senado