Copom reduz taxa Selic para 14% ao ano e cita desaceleração da inflação

Redução de 0,25 ponto percentual foi acompanhada de alerta sobre conflitos internacionais
Banco Central cita desaceleração da inflação e da atividade econômica (Foto: Agência Brasil)

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu reduzir a taxa básica de juros da economia, a Selic, de 14,25% para 14% ao ano. A decisão foi anunciada nesta quarta-feira (5) e, segundo o colegiado, é compatível com a estratégia de conduzir a inflação de volta à meta ao longo do horizonte relevante da política monetária.

Na avaliação do Copom, a economia brasileira apresenta sinais de desaceleração gradual, embora permaneça resiliente. O comitê destaca que os indicadores divulgados desde a última reunião apontam uma moderação da atividade econômica, com comportamento desigual entre os setores e mercado de trabalho ainda aquecido.

O Banco Central também observa que a inflação acumulada apresentou desaceleração nas divulgações mais recentes, mas continua acima do limite superior da meta. As medidas de inflação subjacente, que desconsideram itens mais voláteis, também perderam força e passaram a ficar ligeiramente abaixo desse limite.

Apesar da redução da Selic, o Copom ressaltou que o cenário econômico ainda exige cautela. O comunicado afirma que o ambiente internacional permanece cercado de incertezas em razão dos conflitos no Oriente Médio e das dúvidas sobre a condução da política monetária em economias avançadas, fatores que aumentam a volatilidade dos mercados e dos preços das commodities.

No cenário doméstico, o comitê demonstrou preocupação com a persistência das expectativas de inflação acima da meta. Segundo o boletim Focus, a projeção para 2026 permanece em 5%, enquanto a expectativa para 2027 é de 4,2%. Já a estimativa do próprio Copom para o primeiro trimestre de 2028, considerado o horizonte relevante da política monetária, é de 3,2%, mais próxima da meta estabelecida.

O comunicado destaca que os riscos para a inflação continuam elevados e apresentam viés de alta. Entre eles estão a possibilidade de uma desancoragem mais prolongada das expectativas inflacionárias, impactos de novos aumentos nos preços do petróleo e seus derivados, efeitos das mudanças climáticas sobre a produção agrícola e os custos de energia, além de uma inflação de serviços mais resistente e de eventual desvalorização persistente do câmbio.

Por outro lado, o Banco Central também aponta fatores que podem contribuir para uma inflação menor do que a projetada, como uma desaceleração mais intensa da economia brasileira, enfraquecimento da atividade global e queda nos preços internacionais das commodities.

O Copom informou ainda que continuará acompanhando os efeitos da política fiscal sobre a inflação, os ativos financeiros e a condução da política monetária. Segundo o colegiado, a magnitude das próximas decisões sobre os juros dependerá da evolução dos indicadores econômicos e do comportamento das expectativas de inflação.

Para o Banco Central, o atual cenário, marcado pelo aumento das incertezas e pelos riscos inflacionários, exige serenidade e cautela na condução da política monetária. A instituição reafirmou que manterá a restrição monetária necessária para assegurar a convergência da inflação à meta, ao mesmo tempo em que busca suavizar as oscilações da atividade econômica e favorecer a geração de empregos.

A decisão foi unânime e contou com os votos do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e dos diretores Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti e Rodrigo Alves Teixeira.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Com informações do Banco Central