Senado analisa projeto que autoriza universidades a usar critério geográfico na seleção

Texto altera a LDB e prevê que a medida seja utilizada como instrumento de desenvolvimento regional
Proposta prevê que universidades possam adotar a origem dos candidatos como um dos critérios de seleção (Foto: Agência Brasil)

A Comissão de Educação (CE) do Senado Federal começou a analisar o projeto de lei que autoriza instituições de ensino superior a adotarem critérios de origem geográfica nos processos seletivos para ingresso em seus cursos. A proposta, de autoria da senadora Daniella Ribeiro (Progressistas-PB), busca fortalecer o desenvolvimento regional por meio da formação de profissionais vinculados às localidades onde as universidades estão inseridas.

O projeto altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/1996) para incluir um novo dispositivo no artigo 44, permitindo que universidades e demais instituições de ensino superior utilizem critérios geográficos como ação compensatória voltada ao desenvolvimento regional.

Pela proposta, as instituições passam a ter a faculdade de considerar a origem geográfica dos candidatos durante os processos seletivos, sem tornar essa medida obrigatória. O texto estabelece que as universidades poderão adotar esse critério como forma de incentivar a permanência de estudantes e profissionais em regiões que necessitam de maior desenvolvimento.

Na justificativa do projeto, Daniella Ribeiro destaca que diversas instituições de ensino superior já utilizam mecanismos semelhantes, obtendo resultados positivos ao equilibrar a mobilidade estudantil com a missão de contribuir para o desenvolvimento das regiões onde atuam.

“Note-se que várias instituições de educação superior já adotaram medidas como a sugerida na presente proposição, com bons resultados na criação de equilíbrio entre a saudável mobilidade estudantil e o imprescindível objetivo de permitir que muitas universidades continuem a cumprir sua vocação de promover o desenvolvimento regional”, afirma a senadora.

A parlamentar também argumenta que eventuais excessos na aplicação da medida poderão ser evitados por meio de regulamentação específica ou por orientações do Conselho Nacional de Educação (CNE), responsável pela interpretação e aplicação da legislação educacional.

Após a análise na Comissão de Educação, a proposta seguirá a tramitação prevista no Senado antes de ser encaminhada à Câmara dos Deputados, caso seja aprovada.