No Angelus, Papa pede mais partilha e condena a cultura do desperdício

Leão XIV critica a ganância e diz que desperdício e acumulação são faces do mesmo mal
Pontífice destacou a importância da partilha, da caridade e da Eucaristia (Foto: Vatican News)

O Papa Leão XIV afirmou neste domingo (2), durante a oração do Angelus na Praça de São Pedro, no Vaticano, que “Cristo sacia verdadeiramente a fome da humanidade, a nossa fome de verdade e de vida”. A reflexão foi feita a partir do Evangelho da multiplicação dos pães, proclamado no 18º Domingo do Tempo Comum.

Da janela do Palácio Apostólico, o Pontífice convidou os fiéis a redescobrirem a lógica da partilha e da caridade, especialmente em um cenário marcado por conflitos e injustiças.

No deserto da guerra e da arrogância“, disse o Papa, os cristãos são chamados a testemunhar a fraternidade inspirada no gesto de Jesus, que “levantou os olhos ao céu, proferiu a bênção, partiu os pães e os deu” aos discípulos para que fossem distribuídos à multidão.

Segundo Leão XIV, esse milagre não apenas manifesta o cuidado de Deus com o seu povo, mas também aponta para a Eucaristia, na qual Cristo se oferece como pão da vida para toda a humanidade. O Papa ressaltou que a celebração eucarística deve se traduzir em atitudes concretas de solidariedade no cotidiano.

“Enquanto saboreamos a graça da Eucaristia, comprometamo-nos a testemunhar sua beleza em nossos gestos cotidianos”, afirmou. Como exemplo, destacou o costume da bênção da mesa e a partilha do pão “em família e entre amigos”.

Crítica ao desperdício e à ganância

Durante a catequese, Leão XIV também criticou a cultura da acumulação e do desperdício, classificando ambos como expressões da mesma realidade.

Cristo sacia verdadeiramente a fome da humanidade, a nossa fome de verdade e de vida. Ao mesmo tempo, o seu gesto ensina que nada se desperdiça quando é partilhado. A acumulação e o desperdício, por outro lado, são duas faces do mesmo mal: a ganância“, declarou.

O Pontífice afirmou que a ganância é uma “doença da alma” que faz o ser humano perder o discernimento, levando-o a ignorar o sofrimento dos mais necessitados.

“Esta doença da alma faz perder o juízo, porque embriaga de riquezas, ao ponto de ignorar aqueles que choram de fome e clamam de sede. E assim, perante a opulência das coisas que perecem, estão as mãos estendidas de quem não tem o que comer, as casas incendiadas de quem não tem paz”, destacou.

Apelo à caridade

Ao concluir a oração do Angelus, o Papa confiou à intercessão da Virgem Maria o compromisso dos cristãos com a solidariedade e a partilha.

“Peçamos à Virgem Maria, mãe atenciosa, que nos faça crescer na caridade, para que a ninguém falte o pão de cada dia”, concluiu.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Com informações do Vatican News