Papa Leão XIV responde a Trump: “Não tenho medo e seguirei defendendo a paz”

Pontífice responde a declarações do presidente dos EUA durante voo rumo à África
Papa Leão XIV ao saudar os jornalistas durante o voo para Argel, na Argélia (Foto: Vatican News)

O Papa Leão XIV iniciou nesta segunda-feira (13) sua viagem apostólica à África com um recado direto ao cenário internacional — e, em especial, às críticas feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Sem adotar tom de confronto, o Pontífice foi firme ao rejeitar qualquer papel político e reafirmar sua missão espiritual.

A bordo do voo rumo à Argélia, primeira parada de uma agenda que inclui ainda Camarões, Angola e Guiné Equatorial, Leão XIV conversou com jornalistas e respondeu às declarações de Trump publicadas na rede social Truth.

“Não sou político”, diz o Papa

Questionado sobre as críticas, o Papa foi direto ao ponto:

“Eu não vejo o meu papel como o de um político. Não quero entrar em um debate com ele”, afirmou.

A declaração marca um claro posicionamento do líder da Igreja Católica diante de tentativas de associar sua atuação a disputas políticas. Segundo Leão XIV, sua missão está centrada exclusivamente na mensagem do Evangelho — e não em agendas de governos.

Crítica indireta e defesa da paz

Embora tenha evitado confronto direto com Trump, o Pontífice deixou implícita sua discordância com discursos que, segundo ele, distorcem valores cristãos.

“Não penso que a mensagem do Evangelho deva ser deturpada como alguns estão fazendo”, disse.

Na sequência, reforçou sua principal bandeira: o combate às guerras e a defesa do diálogo internacional.

“Continuo a falar com força contra a guerra, promovendo a paz, o diálogo e o multilateralismo. Muitas pessoas estão sofrendo, muitos inocentes foram mortos. Alguém precisa dizer que há um caminho melhor.”

“Não tenho medo”

Em outro momento, ao ser novamente questionado por uma jornalista norte-americana, Leão XIV respondeu de forma ainda mais incisiva:

“Eu não tenho medo do governo de Trump. Continuarei falando com voz forte sobre a mensagem do Evangelho.”

A fala evidencia a disposição do Papa em manter seu posicionamento, independentemente de pressões políticas ou críticas públicas.

Recado global aos líderes

Apesar da repercussão envolvendo Trump, o Pontífice fez questão de ampliar sua mensagem para além dos Estados Unidos.

“A mensagem é sempre a mesma: a paz. Digo isso a todos os líderes do mundo, não apenas a ele”, afirmou.

Segundo o Papa, a Igreja não atua sob a lógica da política internacional, mas tem o dever de se posicionar diante do sofrimento humano causado por conflitos.

“Nós não somos políticos. Mas acreditamos na mensagem do Evangelho como construtores de paz.”

Viagem à África com foco na reconciliação

A resposta às críticas ocorre no contexto de uma viagem que tem como principal objetivo promover a paz e o diálogo, especialmente em regiões marcadas por desafios sociais e históricos.

Leão XIV destacou que a ida à África era um desejo antigo e simboliza também uma ponte entre culturas e religiões, inspirada na tradição de Santo Agostinho.

Ao longo dos próximos dias, o Papa deve se encontrar com líderes políticos, religiosos e comunidades locais, reforçando sua mensagem de reconciliação.

Entre tensões e símbolos

Mesmo em meio à tensão diplomática, o clima a bordo também foi marcado por gestos simbólicos. O Papa recebeu presentes de jornalistas, incluindo um fragmento de embarcação usada por migrantes africanos que tentam chegar à Europa — um lembrete das crises humanitárias atuais.

O gesto reforça o eixo central do pontificado de Leão XIV: dar visibilidade aos mais vulneráveis e insistir em soluções baseadas no diálogo.

Uma resposta além da política

Sem elevar o tom ou personalizar o embate, o Papa transformou as críticas em oportunidade para reafirmar sua posição global: a de um líder religioso que se recusa a entrar em disputas políticas, mas que não se cala diante da guerra.

Ao responder Donald Trump, Leão XIV deixou claro que sua prioridade não é o confronto — e sim a construção de um caminho possível para a paz.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Com informações do Vatican News