O Ministério da Saúde realizou nesta semana, mais uma rodada de diálogo com representantes estaduais e municipais envolvidos no projeto-piloto de substituição da insulina humana (NPH) pela insulina análoga de ação prolongada, a glargina, no Sistema Único de Saúde (SUS). O encontro, em formato híbrido, reforçou a importância da atuação conjunta entre União, estados e municípios para o avanço da iniciativa.
A reunião foi conduzida pela secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde, Fernanda De Negri, que destacou o papel estratégico dos entes federativos na implementação da política pública. Segundo ela, a proximidade com gestores locais permite adaptar as ações às diferentes realidades regionais, garantindo maior efetividade no atendimento à população.
“A transição da insulina NPH para a glargina no SUS depende diretamente da participação dos estados e municípios. Estamos construindo essa mudança em parceria com os gestores locais, de forma planejada e segura, para melhorar o cuidado das pessoas com diabetes”, afirmou.
Implementação começa em quatro unidades da federação
O projeto-piloto está em andamento no Distrito Federal, Paraná, Paraíba e Amapá. Nessa primeira fase, a prioridade é atender crianças e adolescentes de até 17 anos com diabetes tipo 1, além de idosos a partir de 80 anos com diabetes tipo 1 e tipo 2.
A escolha dessas localidades permite ao Ministério da Saúde avaliar, em conjunto com as secretarias estaduais e municipais, os desafios logísticos e assistenciais da transição. A experiência prática dos territórios é considerada essencial para a futura expansão do programa para todo o país.
Desde março, os pacientes começaram a ser migrados para o novo tratamento, enquanto equipes técnicas acompanham de perto os resultados em articulação contínua com as Secretarias Estaduais de Saúde.
Capacitação e organização local
Para viabilizar a mudança, o Ministério da Saúde tem investido na capacitação de profissionais que atuam diretamente nos municípios, especialmente na Atenção Primária e na Assistência Farmacêutica — níveis fundamentais para a dispensação e o acompanhamento do tratamento.
A organização local, incluindo armazenamento, distribuição e orientação aos pacientes, é conduzida principalmente pelas redes municipais de saúde, com apoio dos estados. Esse arranjo reforça o papel dos municípios como porta de entrada do SUS e protagonistas na execução das políticas públicas.
Benefícios para os pacientes
A insulina glargina possui ação prolongada, podendo atuar por até 24 horas com apenas uma aplicação diária na maioria dos casos. O modelo facilita o controle da glicose e traz mais comodidade aos pacientes.
Atualmente, o tratamento na rede privada pode chegar a R$ 250 para dois meses. A ampliação da oferta no SUS busca democratizar o acesso a terapias mais modernas, alinhadas às melhores práticas internacionais.
Governança tripartite e articulação institucional
Além dos gestores estaduais e municipais, o encontro contou com a participação de representantes do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), reforçando a governança tripartite do SUS.
Também estiveram presentes integrantes do Ministério da Saúde, como secretários-adjuntos e dirigentes de áreas técnicas responsáveis pela atenção primária e assistência farmacêutica.
Produção nacional e soberania
A expansão da insulina glargina no SUS está vinculada a uma Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP), envolvendo o laboratório público Bio-Manguinhos/Fiocruz, a empresa brasileira Biomm e a farmacêutica chinesa Gan & Lee.
A iniciativa prevê a transferência de tecnologia para o Brasil, fortalecendo a produção nacional de insumos estratégicos. Em um cenário global de escassez de insulina, a medida é vista como fundamental para garantir autonomia e segurança no abastecimento do sistema público de saúde.
Próximos passos
Após os primeiros meses de implementação, os resultados do projeto-piloto serão avaliados em conjunto com estados e municípios. A partir dessa análise, será elaborado um cronograma de expansão para outras unidades da federação.
A expectativa do Ministério da Saúde é que o modelo colaborativo adotado — com forte participação local — permita uma ampliação segura, eficiente e adaptada às diferentes realidades do país.
Com informações do MS






