Vídeo: Renan Filho fala sobre acordo com caminhoneiros e descarta greve

Ministro dos Transportes detalha regras para o cumprimento do piso mínimo e como vai funcionar a fiscalização
Ministro explica como tecnologia vai fiscalizar pagamento de frete (Foto: Agência Brasil)

O ministro dos Transportes, Renan Filho, afirmou que a nova Medida Provisória que reforça o cumprimento do piso mínimo do frete no transporte rodoviário de cargas vai ampliar a proteção aos caminhoneiros em todo o país.

A iniciativa foi assinada na última semana pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e foi destaque do programa Bom Dia, Ministro, exibido nesta terça-feira (24/3) pelo Canal Gov, da Empresa Brasil de Comunicação.

Segundo o ministro, a medida busca equilibrar a relação entre grandes empresas e caminhoneiros autônomos. “Tem que haver um equilíbrio entre o frete que o caminhoneiro que só tem um caminhão recebe e a grande companhia, porque ela transforma o esmagamento do caminhoneiro em margem de lucro”, afirmou.

Renan Filho também rebateu críticas de que o piso mínimo poderia elevar os preços ao consumidor final. De acordo com ele, grandes empresas deixavam de cumprir a regra para aumentar suas margens de lucro, sem repassar custos.

“Não vira preço. Grandes companhias não colocam isso no preço final, porque não conseguem. Elas aumentavam era a margem, reduzindo o valor pago ao caminhoneiro”, disse.

Fiscalização mais rígida e tecnológica

A Medida Provisória prevê maior rigor na fiscalização e punições mais severas para empresas que descumprirem o piso do frete. Entre as penalidades estão a suspensão do Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC) e até o impedimento de atuação por até dois anos em casos graves.

A Agência Nacional de Transportes Terrestres deve publicar novas resoluções com regras mais rígidas, incluindo o uso obrigatório do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT).

Segundo o ministro, o novo sistema será totalmente eletrônico e utilizará inteligência artificial para cruzar dados fiscais e identificar irregularidades.

“O controle agora não terá falha. A fiscalização será eletrônica, com base em notas fiscais e no CIOT, permitindo alcançar todas as empresas sem necessidade de ações presenciais”, explicou.

As multas também serão ampliadas, podendo variar de R$ 1 milhão a R$ 10 milhões por operação, além da possibilidade de proibição de contratar novos fretes. A responsabilização poderá atingir inclusive sócios e integrantes de grupos econômicos.

Diálogo com a categoria

Durante a entrevista, Renan Filho destacou o diálogo do governo com os caminhoneiros, que resultou na suspensão de um indicativo de greve na última semana. Uma nova reunião com representantes da categoria está prevista para esta quarta-feira (25/3).

O ministro afirmou ainda que outras medidas estão em estudo, como ajustes nas regras de parada obrigatória para descanso dos caminhoneiros, buscando equilibrar segurança e melhores condições de trabalho.

“O descanso é importante, mas é preciso garantir planejamento. Não faz sentido obrigar o caminhoneiro a parar a poucas horas de casa após dias de viagem”, concluiu.

 

 

 

 

 

Com informações da Agência Gov