A escola de samba Acadêmicos de Niterói divulgou, nesta segunda-feira (16), uma nota oficial em que denuncia perseguições políticas e interferências durante o processo carnavalesco deste ano. A manifestação ocorre após o desfile realizado no domingo (15), na Marquês de Sapucaí, em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
No comunicado, a agremiação agradece à comunidade e aos componentes pelo apoio e afirma que o resultado apresentado na Avenida “foi possível graças à força do povo” e à união da escola. “O que vivemos na Avenida só foi possível graças à força do povo, à união dos nossos componentes e ao amor de quem nunca deixou essa escola caminhar sozinha”, diz o texto.
Denúncia de perseguição
A escola afirma que enfrentou ataques políticos e perseguições ao longo da preparação para o Carnaval. Segundo a nota, houve pressão de setores conservadores e, de forma mais grave, tentativas de interferência por parte de gestores do próprio Carnaval carioca.
De acordo com a Acadêmicos de Niterói, teriam ocorrido pedidos para mudança de enredo, questionamentos sobre a letra do samba e outras ações que buscariam limitar a autonomia artística da agremiação. “Não conseguiram”, diz a escola no comunicado.
“Mesmo pressionada, a Acadêmicos de Niterói não se curvou. Nos posicionamos, resistimos e levamos para a Avenida um desfile verdadeiro, potente e coerente com a nossa identidade.”
Pedido por julgamento justo
Na nota, a escola também menciona o que classifica como uma narrativa recorrente no Carnaval — a ideia de que “quem sobe, desce” — em referência a agremiações recém-promovidas que acabam rebaixadas no ano seguinte.
Diante disso, a Acadêmicos de Niterói afirma esperar um julgamento “justo, técnico e transparente”, que considere exclusivamente o que foi apresentado na Avenida, sem interferências externas ou pré-julgamentos.
A mensagem é encerrada com um tom de resistência: “Em Niterói, o amor venceu o medo”, afirma a escola, que diz seguir “firme”, “com o povo” e “atenta”.
Até o momento, a organização do Carnaval carioca não havia se manifestado sobre as declarações da agremiação.






