Em um forte apelo por justiça, diálogo e compromisso humanitário, o Papa Leão reafirmou o papel ativo da Santa Sé na defesa dos direitos humanos e na promoção da paz global. A declaração foi feita durante a cerimônia de apresentação das cartas credenciais de treze novos embaixadores acreditados junto à Santa Sé, representando Uzbequistão, Moldávia, Bahrein, Sri Lanka, Paquistão, Libéria, Tailândia, Lesoto, África do Sul, Fiji, Micronésia, Letônia e Finlândia.
Diante de diplomatas oriundos dos cinco continentes, o Pontífice destacou que a Santa Sé “não ficará em silêncio diante das graves desigualdades, injustiças e violações dos direitos humanos fundamentais” que afetam uma comunidade internacional cada vez mais fragmentada e marcada por conflitos.
Segundo ele, a ação diplomática do Vaticano é guiada pelos valores do Evangelho e orientada a servir o bem da humanidade, sempre sensível às vozes dos pobres, vulneráveis e marginalizados — aqueles que mais sofrem com as rápidas transformações econômicas e tecnológicas do mundo atual.
Esperança e paz: os pilares do discurso pontifício
O Papa Leão destacou duas palavras centrais para o trabalho diplomático contemporâneo: esperança e paz.
A esperança, ressaltou, deve inspirar a confiança necessária para enfrentar desafios dentro da Igreja, da sociedade, nas relações internacionais e na defesa da dignidade humana. Ele apontou o Jubileu como um convite universal para “reencontrar a confiança” e renovar o compromisso com o bem comum.
Já a paz foi apresentada como “desarmada e desarmante”, conceito que o Pontífice mencionara em sua primeira aparição na Praça São Pedro após o Conclave. “A paz não é simplesmente a ausência de conflito, mas um dom ativo e exigente, que se constrói no coração”, afirmou.
O Papa também alertou para o uso irresponsável das palavras como armas, reforçando que a paz exige renúncia ao orgulho e à vingança. Para ele, essa visão tornou-se ainda mais urgente diante do agravamento das tensões geopolíticas, que continuam a pressionar as nações e abalar os laços da família humana.
Pobres e invisibilizados: impacto das crises e necessidade de multilateralismo
Em sua fala, o Pontífice recordou trechos da exortação apostólica Dilexi Te para destacar que o mundo “não pode se dar ao luxo de desviar o olhar” das pessoas que se tornam invisíveis diante das mudanças econômicas e tecnológicas aceleradas.
Ele reforçou que são justamente os pobres e marginalizados os que mais sofrem com as instabilidades políticas e sociais. Por isso, defendeu um renovado compromisso multilateral, capaz de revitalizar organismos internacionais e oferecer ferramentas concretas para enfrentar preocupações globais urgentes.
O Papa Leão demonstrou confiança de que as relações entre a Santa Sé e os países representados pelos novos embaixadores possam contribuir para esse esforço.
“Abrir novas portas ao diálogo”
Ao final do discurso, o Pontífice assegurou aos diplomatas o apoio da Secretaria de Estado do Vaticano e pediu que suas missões se tornem instrumentos de união, justiça e cooperação entre as nações.
“Confio que juntos poderemos destacar as situações daqueles que estão em necessidade e que muitas vezes são esquecidos, e que nosso compromisso comum inspirará a comunidade internacional a lançar as bases para um mundo mais justo, fraterno e pacífico”, declarou.
Ele concluiu desejando que o trabalho dos novos representantes contribua para promover a unidade, ampliar o diálogo e avançar a paz tão necessária para toda a humanidade.
Com informações do Vatican News






