O Ministério da Saúde confirmou que 113 casos de intoxicação por metanol após o consumo de bebidas alcoólicas adulteradas foram notificados em todo o Brasil. Os dados, que agora passam a ser divulgados em boletins diários pela pasta, indicam 11 casos confirmados e 102 ainda em investigação. A situação acendeu um alerta nacional de saúde pública.
São Paulo concentra maioria dos registros
O estado de São Paulo lidera com 101 casos, sendo 11 confirmados e 90 sob investigação. Além de São Paulo, outros cinco estados também reportaram ocorrências suspeitas:
- Pernambuco: 6 casos
- Bahia: 2 casos
- Distrito Federal: 2 casos
- Paraná: 1 caso
- Mato Grosso do Sul: 1 caso
As notificações foram feitas pelos Centros de Informações Estratégicas e Resposta em Vigilância em Saúde (Cievs) estaduais e repassadas ao Cievs nacional, responsável pela consolidação dos dados.
Doze mortes já foram registradas
O boletim também informa 12 mortes relacionadas à possível intoxicação por metanol. Apenas uma foi confirmada oficialmente — no estado de São Paulo. As demais 11 estão em investigação, com a seguinte distribuição:
- São Paulo: 8 mortes em apuração
- Pernambuco: 1
- Bahia: 1
- Mato Grosso do Sul: 1
Governo corre para ampliar estoque de antídoto
Diante da gravidade do cenário, o Ministério da Saúde informou que já adquiriu 4,3 mil ampolas de etanol farmacêutico, o principal antídoto contra a intoxicação por metanol. A pasta também está em processo de compra de mais 150 mil ampolas, o equivalente a 5 mil tratamentos, para abastecer o Sistema Único de Saúde (SUS).
Além disso, o governo brasileiro busca alternativas para obter o fomepizol, outro antídoto eficaz contra o envenenamento por metanol, embora pouco disponível no mercado internacional. A pasta enviou pedidos de doação e cotação de compra do medicamento para empresas e instituições da Índia, Estados Unidos e Portugal, e também solicitou apoio da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) para a doação emergencial de 100 tratamentos, além da intenção de adquirir 1 mil unidades por meio do Fundo Estratégico da organização.
Vigilância reforçada e sala de situação
Para conter a disseminação de novos casos, o Ministério da Saúde orientou que estados e municípios notifiquem imediatamente qualquer suspeita de intoxicação por metanol, fortalecendo a vigilância epidemiológica e possibilitando uma resposta rápida.
Foi ainda instalada uma sala de situação extraordinária, que continuará ativa enquanto persistir o risco sanitário. A estrutura acompanhará a evolução dos casos em tempo real e coordenará ações em conjunto com autoridades estaduais e municipais de saúde.
Riscos e cuidados
A intoxicação por metanol, substância altamente tóxica, pode causar cegueira, falência de órgãos e morte, mesmo em pequenas doses. Ele é usado de forma ilegal na adulteração de bebidas alcoólicas por ser mais barato que o etanol de consumo humano.
As autoridades reforçam que a população deve evitar bebidas de origem desconhecida ou sem registro sanitário, e que qualquer sintoma após o consumo de álcool — como tontura, visão turva, dor de cabeça intensa, vômitos ou dificuldade para respirar — deve ser comunicado imediatamente a um serviço de saúde.
Com informações da Agência Brasil






