Nova tarifa dos EUA sobre exportações brasileiras ameaça economia do Nordeste

Estados mais afetados serão Ceará, Bahia e Maranhão, que respondem por mais de 80% das exportações nordestinas
Sudene fez um levantamento dos prejuízos provocados pelo "tarifaço" para a Região (Foto: Sudene)

Uma tarifa de 50% sobre as exportações brasileiras anunciada recentemente pelos Estados Unidos pode gerar um forte impacto na economia do Nordeste, segundo levantamento da Coordenação de Estudos, Pesquisas, Tecnologia e Inovação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). O estudo, divulgado nesta quarta-feira (10), alerta que os estados do Ceará, Bahia e Maranhão serão os mais afetados, já que concentram a maior parte das vendas da Região para o mercado norte-americano.

De janeiro a junho de 2025, as exportações nordestinas para os EUA já somaram US$ 1,58 bilhão — cerca de R$ 8,7 bilhões — com destaque para o Ceará, principal exportador regional, seguido por Bahia e Maranhão. Juntos, esses três estados responderam por 84,1% do total exportado.

A sondagem da Sudene também avaliou os dados de 2024, ano em que Bahia, Maranhão, Ceará e Pernambuco exportaram cerca de US$ 2,5 bilhões para os EUA — o equivalente a R$ 14 bilhões. No total, o Nordeste vendeu pouco mais de R$ 15,6 bilhões em produtos para o país norte-americano naquele ano, conforme cotação do dólar em 10 de julho de 2025.

Para José Farias, coordenador de Estudos, Pesquisas, Tecnologia e Inovação da Sudene, o impacto pode ser devastador. “Será uma perda significativa para a economia regional, caso este mercado seja fechado, uma consequência natural diante do aumento expressivo nos preços de mercadorias, conforme a lei da oferta e da procura mostra”, afirma.

Segundo ele, o aumento “absurdo” da tarifa tende a afastar os compradores norte-americanos, que buscarão fornecedores alternativos em outros países. “Isso vai refletir não só na perda do PIB e de empregos, mas trará consequências indiretas bem mais pesadas sobre a cadeia produtiva regional”, explica Farias. “Mesmo os produtos primários, como o cacau, sustentam uma longa cadeia de atividades no território.”

O coordenador também destaca que pequenos produtores e indústrias locais serão duramente atingidos, especialmente nos quatro estados mais exportadores para os EUA. “Estamos falando de uma pauta muito diversificada, indo desde ligas de aço, passando por pastas químicas, pneus e variados produtos da agropecuária, que são tipicamente commodities”, afirma.

Entre os principais produtos exportados pelos estados nordestinos para os EUA estão:

  • Ceará: aço, frutas, pescados e calçados — todos com valor agregado médio e alta exposição à perda de competitividade.
  • Bahia: cacau (US$ 46 milhões), óleos, pneumáticos (US$ 42 milhões) e frutas.
  • Maranhão: pastas químicas e minérios, com grande participação na balança comercial estadual.

Com a taxação extra, esses setores correm o risco de perder espaço no mercado norte-americano, prejudicando não apenas grandes exportadores, mas também pequenas e médias empresas e trabalhadores ao longo das cadeias produtivas.

A Sudene alerta que, sem uma estratégia de mitigação por parte do governo federal e das entidades representativas da indústria e do comércio, o Nordeste poderá enfrentar retração em diversos setores da economia ainda este ano.