Ex-presidente Bolsonaro volta à Paulista com adesão menor e ataques ao STF

Em comparação ao ato de abril, avaliado em cerca de 45 mil pessoas, a adesão foi visivelmente menor
O ex-presidente Jair Bolsonaro discursa durante ato na avenida Paulista (Foto: Reprodução: Youtube/Silas Malafaia)

Neste domingo (29), a Avenida Paulista, em São Paulo, voltou a ser palco de um ato organizado por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, com o mote “Justiça já”, em reação ao julgamento da alegada trama golpista que envolve o próprio Bolsonaro e aliados no STF.

Em comparação ao ato de abril, avaliado em cerca de 45 mil pessoas, a adesão foi visivelmente menor, ocupando apenas um quarteirão da Paulista (entre a Rua Peixoto Gomide e o MASP).

A principal pauta foi pressionar o STF no julgamento, especialmente sobre delação de Mauro Cid, além de retomar a proposta de anistia para acusados dos atos de 8 de janeiro de 2023.

Bandeiras do Brasil, Estados Unidos e Israel, além de cartazes em inglês com referências a “Bolsotrump” e “Trumponaro”, foram exibidos; o ex-presidente chegou a dizer “Make Brazil Great Again” em tom de sátira ao lema de Trump.

Estiveram presentes quatro governadores de partidos de centro-direita: Tarcísio de Freitas (SP), Jorginho Mello (SC), Cláudio Castro (RJ) e Romeu Zema (MG).

Parlamentares do PL subiram ao trio elétrico – entre eles Sóstenes Cavalcante (RJ), Magno Malta (ES), Zucco (RS), Marco Feliciano (SP) – criticaram 6 STF e defenderam a eleição de senadores de direita para “enfrentar” a Corte. Flávio Bolsonaro alertou para uma “perseguição” que poderia colocar “a cabeça de Bolsonaro numa bandeja”.

Também estiveram presentes os deputados federais André do Prado (PL), Bia Kicis (PL), Gustavo Gayer (PL), O julgamento no STF do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL)  e dos outros sete réus da ação penal principal da trama golpista deve ocorrer entre o final de agosto e o início de setembro.

Trecho do discurso de Jair Bolsonaro:

“Em 2018, eu me tornei presidente por um verdadeiro milagre. Após aquela facada em Juiz de Fora, ninguém apostava que eu voltaria à campanha, muito menos que venceria. Mas vencemos. Vencemos com o apoio de milhões que acreditaram na verdade, na liberdade e em um Brasil diferente. Formamos um governo técnico, com ministros escolhidos por competência e não por apadrinhamento, e colocamos o Brasil no caminho da recuperação. Conquistamos respeito, combatemos a corrupção, e mostramos que é possível governar com responsabilidade e patriotismo.”

“Mas em 2022, vimos a balança da democracia pender por conta da mão pesada do STF. Me acusaram de tudo: genocida, misógino, racista — sem provas, sem direito à defesa justa. Mesmo com o apoio de trabalhadores, do agro, dos CACs, dos cristãos, fomos derrotados. Mas aceitamos. Fiz uma transição pacífica, elogiada inclusive por Alckmin. E ainda dizem que houve golpe? Se fosse golpe, vocês não estariam aqui comigo hoje. Queremos justiça, queremos pacificação. Se vocês me derem 50% da Câmara e do Senado, mudaremos o Brasil. Não preciso nem voltar à Presidência. Faço isso por vocês e pelo nosso país.”