O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a realização de duas acareações no âmbito da Ação Penal 2668, que apura a suposta tentativa de golpe de Estado articulada por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. O destaque fica para o confronto direto entre o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, e o general Walter Braga Netto, ex-ministro da Defesa.
A acareação entre Cid e Braga Netto está marcada para a próxima terça-feira (24), às 10h, na sala de audiências do STF. Será a primeira vez que os dois estarão frente a frente para esclarecer divergências em seus depoimentos sobre os bastidores da tentativa de ruptura institucional após as eleições de 2022.
Braga Netto, que está preso preventivamente no Rio de Janeiro, deverá comparecer pessoalmente à Corte em Brasília. Por decisão de Moraes, ele será escoltado, utilizará equipamento de monitoramento eletrônico e retornará à unidade prisional logo após o procedimento.
Na sequência, às 11h, haverá outra acareação, desta vez entre o ex-ministro da Justiça Anderson Torres, também réu na ação, e o general Freire Gomes, ex-comandante do Exército, que figura como testemunha.
A acareação é um instrumento jurídico utilizado para esclarecer contradições entre depoimentos, colocando frente a frente pessoas que prestaram versões diferentes sobre um mesmo fato. Segundo o ministro Moraes, os réus não têm a obrigação de dizer a verdade, ao contrário das testemunhas, que são legalmente obrigadas a relatar os fatos de forma verídica.
A expectativa é que os confrontos ajudem a elucidar pontos-chave sobre a suposta conspiração para impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, investigada no processo. Mauro Cid tem colaborado com as investigações, enquanto Braga Netto nega envolvimento. A acareação deve ser decisiva para que o STF avance no julgamento dos envolvidos.
A ação penal é parte do inquérito mais amplo que investiga a atuação de militares, ex-ministros e aliados do ex-presidente Bolsonaro na preparação de um plano para deslegitimar o resultado das eleições e manter o ex-chefe do Executivo no poder.






