Vladimir Herzog é reconhecido como anistiado político post morteml

Viúva do jornalista, Clarice Herzog, receberá pensão vitalícia em cumprimento à decisão judicial
Herzog foi torturado e morto em 1975 após se apresentar voluntariamente ao DOI-CODI, em São Paulo (Foto: MDHC)

O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), por meio da Comissão de Anistia, reconheceu oficialmente o jornalista Vladimir Herzog como anistiado político post mortem. A decisão representa mais um passo no processo de reparação histórica às vítimas da repressão durante a ditadura militar no Brasil.

Herzog foi torturado e morto em 1975, após se apresentar voluntariamente ao DOI-CODI, em São Paulo, para prestar esclarecimentos sobre supostas ligações com o então ilegal Partido Comunista Brasileiro. À época, a versão oficial apresentada pelos militares foi a de que ele teria se suicidado, versão essa contestada por familiares, colegas de profissão e diversas entidades de direitos humanos ao longo das décadas.

Como parte da reparação econômica, a viúva de Vladimir, Clarice Herzog, receberá uma pensão mensal vitalícia no valor de R$ 34.577,89. O pagamento cumpre uma determinação da 2ª Vara Federal Cível da Seção Judiciária do Distrito Federal, que reconheceu o direito da família à indenização por conta da violência de Estado.

A Comissão de Anistia já havia reconhecido Clarice como anistiada política em abril de 2024, quando também foi feito um pedido público de desculpas em nome do Estado brasileiro pelas perseguições e sofrimentos impostos à família Herzog.

Herzog: símbolo da luta por democracia

Vladimir Herzog era diretor de jornalismo da TV Cultura quando foi convocado pelo Exército para depor. Sua morte causou grande comoção nacional e internacional, tornando-se um dos casos mais emblemáticos das violações de direitos humanos cometidas durante o regime militar. O episódio marcou profundamente a sociedade brasileira e é até hoje lembrado como um marco na luta por democracia e justiça no país.

O reconhecimento oficial da anistia política de Vladimir Herzog reafirma o dever do Estado brasileiro em não apenas reconhecer, mas também reparar os crimes cometidos contra seus cidadãos durante períodos de exceção.